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  • Foto do escritorThiago Corrêa de Freitas

Crônicas da luteria paranaense #1

Atualizado: 13 de abr. de 2021


Ao seguir com a pesquisa de catalogação de órgãos no Paraná, acabei por encontrar outras informações interessantes a respeito da construção de instrumentos musicais e seus artífices. Aqui, não temos indícios de uma influência italiana, ou mesmo lusófona, como o caso do Rio de Janeiro estudado por Saulo Dantas-Barreto. Nem mesmo à luteria ipsis literis remonta a relação dos construtores de instrumentos musicais com o Paraná, sendo, entretanto, óbvio que a presente crônica não esgota a pesquisa acerca do tema; pelo contrário, aponta uma linha de pesquisa que necessita ser desenvolvida, tanto nos primórdios quanto na luteria contemporânea.


Oriundas da Europa Central, chegam ao Paraná entre o final do séc. XIX e primeira metade do séc. XX pessoas ligadas à construção e manutenção de pianos. Em 1866, o afinador de pianos e organista Jerônimo Durski chega ao estado e, não encontrando trabalho na área, dedica-se ao ensino junto à colônia polonesa. Johann Franz Hertel, afinador de pianos, atua nessa atividade desde sua chegada da Alemanha em 1892 até 1898, quando abre a Casa Hertel, loja de instrumentos musicais, partituras e serviços de manutenção. Posteriormente, Johann envia seu filho Bruno Hertel para estudar construção de instrumentos musicais na Alemanha, o qual, ao retornar para Curitiba, amplia os serviços de manutenção da empresa. Ainda no final do séc. XIX, em São Mateus do Sul, na Sociedade Casemiro Pulaski, ao sócio Figurski são atribuídas responsabilidades um pouco estranhas, uma vez que este deve consertar os instrumentos musicais, tocar de graça e ressarcir a sociedade caso danifique algum deles.


Vindo de Petrópolis em 1901 para tratamento de saúde, o também alemão e afinador de pianos Ernest Scheffler acaba por se estabelecer definitivamente na cidade. Descobri ainda que ele é o avô do meu professor de violino Max Scheffler, em cuja família havia relatos de um antepassado que afinava pianos. Em 1909, Florian Essenfelder desembarca em Paranaguá trazendo parte de sua fábrica de pianos e estabelecendo em Curitiba a bem conhecida Pianos Essenfelder. Ao início do séc. XX remonta também a Casa Goudard, que vendia instrumentos musicais de importação direta, incluindo violinos e a similar Casa D’Aló. Apenas em 1928 os jornais trazem a menção ao luthier Reynaldo Hahn, de Montenegro - RS, que em sua passagem por Curitiba apresentou seus violinos. No ano de 1943 o jornal O Dia traz o anúncio do fabricante de violinos Miguel Wozniak, o qual “vindo das grandes capitais” pretendia estabelecer-se em Curitiba, não havendo mais informações sobre sua autuação.


Assistindo a uma palestra promovida pela Casa da Cultura Polônia Brasil, no final de 2020, um comentário que deve ter passado despercebido para a maioria me chamou a atenção: “Meu avô atuou como luthier amador”. Após certa hesitação, resolvi tentar um contato e, assim, pude resgatar a história de Konstanty Szpyra (1885-1961), polonês nascido nos arredores de Varsóvia, que emigrou para Curitiba em 1924, onde já vivia um irmão seu. Ainda na Polônia, pôde participar de um curso de artífices e posteriormente serviu no exército na Primeira Guerra Mundial. Já em Curitiba, estabeleceu-se no Bacacheri, onde residiu, trabalhou e formou família.


Na luteria, dedicou-se à construção de violinos. Uma informação que demonstra um nível de exigência diferenciado e que foi preservada oralmente consiste nas viagens que Konstanty fazia para São Paulo, em busca de cordas, uma vez que não encontrava aquelas que desejava em Curitiba. Esse resgate só foi possível devido à colaboração dos irmãos Alexandre e Marcelo Szpyra Pereira Cardoso, netos de Konstanty, fornecendo informações e fotos.


O luthier Konstanty Szpyra.


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